O que é o pecado imperdoável?
O pecado imperdoável é a blasfêmia contra o Espírito Santo: atribuir, de forma consciente e obstinada, a obra de Deus a Satanás, rejeitando assim Aquele que conduz ao arrependimento. Quem se aflige com isso e deseja perdão mostra que não o cometeu, pois Cristo promete perdoar quem confessa seus pecados.
Poucas frases da Bíblia assustam tanto quanto a que fala do pecado que não será perdoado. Alguns temem tê-lo cometido por um mau pensamento ou uma palavra dita com raiva. Para entender o que Jesus quis dizer, é preciso ver em que situação ele falou.
O que Jesus disse e a quem
Jesus acabara de expulsar um demônio de um homem. Os fariseus tinham uma resposta: ele expulsa demônios por Belzebu, o príncipe dos demônios. Então Jesus fez uma advertência solene.
Por isso eu vos digo: todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos seres humanos; mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada aos seres humanos. E qualquer um que falar palavra contra o Filho do homem lhe será perdoado; mas qualquer um que falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem na era presente, nem na futura.
Mt 12:31–32 · Bíblia Livre
Marcos registra as mesmas palavras e acrescenta por que Jesus as disse.
Em verdade vos digo que todos os pecados serão perdoados aos filhos dos homens, e todas as blasfêmias com que blasfemarem; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo ficará sem perdão para sempre; em vez disso, é culpado do juízo eterno.
Mc 3:28–29 · Bíblia Livre
Albert Barnes explica que o pecado consistia em acusar Jesus de realizar seus milagres pelo poder do diabo e não pelo Espírito de Deus, e que isso é muito diferente do que hoje costuma se imaginar. Matthew Henry diz que Cristo deu uma advertência assustadora contra falar palavras tão perigosas. John MacArthur destaca que foi uma rejeição deliberada do que os fariseus sabiam vir de Deus: não podiam negar o que o Espírito fazia por meio de Jesus, por isso o atribuíram a Satanás.
Por que esse pecado não é perdoado
Warren Wiersbe resume em três pontos. Primeiro, é um pecado do coração, não dos lábios: as palavras revelam o estado do coração. Segundo, é um pecado cometido à luz de grande evidência: aqueles homens viram os milagres de Cristo e mesmo assim endureceram o coração. Terceiro, é um pecado intencional de descrença persistente e de rejeição total a Jesus Cristo. Wiersbe lembra que nem o adultério nem o homicídio são imperdoáveis, e cita o perdão dado a Davi. Mas quando a pessoa insiste em rejeitar a Cristo até que o coração fique tão endurecido que ela nem se preocupa mais com seu destino eterno, é tarde demais.
MacArthur explica que quem nunca viu o poder de Cristo pode rejeitá-lo por ignorância e ser perdoado, se se arrepender. Um exemplo é Saulo de Tarso, que perseguiu a igreja por ignorância (1 Timóteo 1:13). Mas os que sabem que as palavras de Cristo são verdadeiras e mesmo assim o rejeitam pecam contra o Espírito, pois é o Espírito quem dá testemunho de Cristo. Barnes acrescenta que todo pecado é perdoado apenas sob a condição de que a pessoa se arrependa e creia.