Parábola dos talentos: explicação

Resposta curta

Um senhor que vai viajar confia aos seus servos grandes somas de dinheiro; ao voltar, recompensa os dois que as fizeram render e condena o que, por medo, enterrou o seu talento. Jesus ensina que os seus seguidores devem servi-lo com fidelidade, usando tudo o que ele lhes confiou, até que ele volte.

Jesus contou a parábola dos talentos poucos dias antes de morrer, no seu ensino no monte das Oliveiras sobre a sua volta (Mateus 25:14–30). Ela fica entre a parábola das dez virgens e a cena do juízo final, e as três falam do tempo em que o Senhor está ausente. Albert Barnes resume o seu propósito: mostrar como Cristo tratará as pessoas quando voltar.

O que era um talento

Jesus compara o reino a um homem que, antes de viajar, chama os seus servos e lhes entrega os seus bens: a um dá cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada um conforme a sua capacidade.

Pois é como um homem, que partindo para fora do país, chamou seus servos, e lhes entregou os seus bens. E a um deu cinco talentos, a outro dois, e ao terceiro um, a cada um conforme a sua habilidade, e logo depois partiu em viagem.

Mt 25:14–15 · Bíblia Livre

John MacArthur explica que o talento era uma unidade de peso, não uma moeda, e um talento de prata era uma soma muito grande. Até o servo que recebeu um só talento recebeu muito. A nossa palavra “talento”, no sentido de dom natural, vem justamente dessa parábola. MacArthur adverte que, por isso, muitos a leem apenas como uma lição sobre desenvolver habilidades, quando o seu assunto principal é a fidelidade ao Senhor ausente.

Warren Wiersbe faz uma distinção cuidadosa: a capacidade de cada servo já era dele, e os talentos eram as oportunidades de usar essa capacidade a serviço do seu senhor.

Dois servos fiéis

Os dois primeiros servos foram logo trabalhar e dobraram o que tinham recebido (Mateus 25:16–17). Muito tempo depois, o senhor volta e acerta contas. O que recebeu cinco talentos traz outros cinco, e o senhor o chama de servo bom e fiel: porque foi fiel no pouco, será posto sobre muito e entrará na alegria do seu senhor.

Muito tempo depois, o senhor daqueles servos veio fazer contas com eles. O que havia recebido cinco talentos chegou trazendo-lhe outros cinco talentos, e disse: ”Senhor, cinco talentos me entregaste, eis que ganhei com eles outros cinco talentos”. E o seu senhor lhe disse: “ Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te porei; entra na alegria do teu senhor”.

Mt 25:19–21 · Bíblia Livre

O servo dos dois talentos ouve exatamente o mesmo elogio (Mateus 25:22–23). MacArthur e Wiersbe tiram a mesma lição: a recompensa não depende da quantidade, mas da fidelidade. Wiersbe acrescenta que o cristão fiel num serviço que parece pequeno recebe a mesma recompensa de quem parece ter um grande ministério.

O servo que enterrou o talento

O terceiro servo diz que sabia que o senhor era um homem severo, que colhe onde não semeou; com medo, escondeu o talento na terra e agora o devolve.

Mas, chegando também o que havia recebido um talento, disse: “Senhor, eu te conhecia, que és homem duro, que colhes onde não semeaste, e ajuntas onde não espalhaste; E eu, atemorizado, fui e escondi o teu talento na terra; eis aqui tens o que é teu”.

Mt 25:24–25 · Bíblia Livre

Ele traz desculpas em vez de resultados. Matthew Henry vê nele as pessoas que acham impossível agradar a Deus e inútil servi-lo, e por isso não fazem nada. MacArthur conclui que esse homem não conhecia de verdade o seu senhor, e Wiersbe duvida que ele possa ser chamado de cristão.

O senhor o chama de servo mau e preguiçoso: se ele pensava assim, devia ao menos ter entregado o dinheiro aos banqueiros, para que rendesse juros.

Porém seu senhor lhe respondeu: “Servo mau e preguiçoso! Sabias que colho onde não semeei, e ajunto onde não espalhei. Devias, portanto, ter depositado o meu dinheiro com os banqueiros e, quando eu voltasse, receberia o que é meu com juros.

Mt 25:26–27 · Bíblia Livre

Wiersbe observa que Jesus repete as acusações do servo sem dizer que são verdadeiras. O servo é julgado pelas suas próprias palavras.

Então vem o princípio: a quem tem, mais será dado, e terá em abundância; mas de quem não tem, até o que tem será tirado.

Pois a todo aquele que tiver, lhe será dado, e terá em abundância; porém ao que não tiver, até o que tem lhe será tirado.

Mt 25:29 · Bíblia Livre

Wiersbe explica: se deixarmos de usar o que Deus nos deu, perderemos isso para outra pessoa. Por fim, o servo inútil é lançado fora (Mateus 25:30).

Os talentos e as minas

Lucas registra uma história parecida sobre um homem nobre que deu uma mina a cada um de dez servos (Lucas 19:11–27). Barnes mostra que não é a mesma parábola: foi contada em outro momento e lugar, a caminho de Jerusalém, para corrigir quem pensava que o reino ia aparecer imediatamente (Lucas 19:11). Wiersbe explica a diferença de sentido: os talentos, distribuídos de modo desigual, representam oportunidades diferentes conforme as nossas capacidades, enquanto a mina, cerca de três meses de salário e igual para todos, representa o evangelho confiado a cada crente.

O que a parábola significa para nós

Henry lembra que Cristo não tem servos para ficarem ociosos. Tudo o que temos, tempo, dons, dinheiro e o próprio conhecimento do evangelho, nos foi confiado pelo Senhor, e prestaremos contas disso. Pedro diz o mesmo: cada crente deve usar o dom que recebeu para servir aos outros (1 Pedro 4:10).

Isso não quer dizer que ganhamos a salvação sendo úteis. Henry esclarece que desenvolver as capacidades naturais não dá a ninguém direito à graça de Deus. A salvação é um presente recebido pela fé. Mas a fé verdadeira não enterra o que recebeu. Ela trabalha por amor ao Senhor e espera o elogio e a alegria prometidos aos servos fiéis. Paulo resume a única exigência feita aos administradores: que sejam achados fiéis (1 Coríntios 4:2).