Parábola do filho pródigo: explicação e significado

Resposta curta

É uma história contada por Jesus sobre um filho que desperdiça a herança, volta para casa envergonhado e é recebido por um pai que corre ao seu encontro. Ela mostra com quanta alegria Deus recebe os pecadores que se arrependem e expõe o irmão mais velho, que se ressente dessa graça.

A parábola do filho pródigo é uma das histórias mais conhecidas que Jesus contou (Lucas 15:11–32). “Pródigo” quer dizer esbanjador, e o filho mais novo foi exatamente isso. Mas a história tem três personagens, e os comentaristas concordam que o pai e o irmão mais velho pesam tanto quanto o filho que foi embora.

Por que Jesus contou essa parábola

Lucas conta o que motivou a história: publicanos e pecadores se aproximavam para ouvir Jesus, e os fariseus e escribas murmuravam porque ele recebia essa gente e comia com ela.

E chegavam-se a ele todos os publicanos e pecadores para o ouvirem. E os fariseus e escribas murmuravam, dizendo: Este recebe aos pecadores, e come com eles.

Lc 15:1–2 · Bíblia Livre

Os publicanos cobravam impostos para Roma. Warren Wiersbe explica que os “pecadores” eram judeus que não guardavam a lei nem as tradições dos anciãos e por isso eram excluídos em Israel. John MacArthur chama a acusação de que Jesus recebe pecadores de chave das três parábolas seguintes.

Jesus responde com um pastor que encontra a ovelha perdida (Lucas 15:3–7), uma mulher que encontra a moeda perdida (Lucas 15:8–10) e um pai que recebe o filho de volta. Cada história termina em alegria. Matthew Henry vê nas três o mesmo propósito: mostrar como Deus se alegra com a conversão dos pecadores.

A história em resumo

O mais novo de dois filhos pede a sua parte da herança enquanto o pai ainda vive. O pai divide os bens, e logo depois o filho junta tudo, parte para uma terra distante e desperdiça tudo numa vida dissoluta.

E disse: Um certo homem tinha dois filhos. E disse o mais jovem deles ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertencem. E ele lhe repartiu os bens. E depois de não muitos dias, o filho mais jovem, juntando tudo, partiu-se para uma terra distante, e ali desperdiçou seus bens, vivendo de forma irresponsável.

Lc 15:11–13 · Bíblia Livre

Os comentaristas avaliam o pedido de modo diferente. MacArthur e Wiersbe o veem quase como desejar a morte do pai. Albert Barnes lembra que, no mundo antigo, um filho às vezes podia reclamar sua parte antes. Henry aponta a raiz: é ruim tratar os dons de Deus como dívidas que nos são devidas.

O dinheiro acaba, vem a fome, e o rapaz vai cuidar de porcos. Para um judeu, escreve MacArthur, era difícil imaginar queda maior, pois os porcos eram os animais mais impuros. Então ele cai em si: lembra que os empregados do pai têm pão de sobra e decide voltar, confessar que pecou contra o céu e contra o pai e pedir para ser tratado como empregado.

E ele, pensando consigo mesmo, disse: Quantos empregados de meu pai tem pão em abundância, e eu aqui morro de fome! Eu levantarei, e irei a meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu, e diante de ti. E já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como a um de teus empregados.

Lc 15:17–19 · Bíblia Livre

Ele volta para casa esperando no máximo ser um trabalhador. Mas o pai o vê ainda de longe, se enche de compaixão, corre até ele, o abraça e o beija.

E levantando-se, foi a seu pai. E quando ainda estava longe, o seu pai o viu, e teve compaixão dele; e correndo, caiu ao seu pescoço, e o beijou.

Lc 15:20 · Bíblia Livre

Barnes destaca o contraste: o filho vem devagar, cheio de vergonha, e o pai corre. Wiersbe acrescenta que no Oriente não era comum um homem mais velho correr. O pai nem deixa o filho terminar o pedido de ser empregado: manda trazer a melhor roupa, um anel e sandálias e preparar uma festa, porque o filho que estava morto voltou a viver.

Mas o pai disse a seus servos: Trazei a melhor roupa, e o vesti; e ponde um anel em sua mão, e sandálias nos seus pés. E trazei o bezerro engordado, e o matai; e comamos, e nos alegremos. Porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha se perdido, e foi achado. E começaram a se alegrar.

Lc 15:22–24 · Bíblia Livre

MacArthur explica os presentes: a melhor roupa, reservada a um convidado de honra; o anel, sinal de autoridade; e as sandálias, que os escravos normalmente não usavam. Tudo diz a mesma coisa: este é um filho, não um servo.

O irmão mais velho

A parábola não termina na festa. O filho mais velho volta do campo, ouve a música e se recusa a entrar. Ele reclama que serviu o pai por anos sem nunca ganhar uma festa, enquanto esse filho que gastou tudo recebe o novilho gordo.

Porém ele se irritou, e não queria entrar. Então o seu pai, saindo, rogava-lhe que entrasse. Mas o filho respondendo, disse ao pai: Eis que eu te sirvo há tantos anos, e nunca desobedeci tua ordem, e nunca me deste um cabrito, para que eu me alegrasse com meus amigos. Porém, vindo este teu filho, que gastou teus bens com prostitutas, tu lhe mataste o bezerro engordado.

Lc 15:28–30 · Bíblia Livre

Ele chama o irmão de filho do pai, não de irmão. MacArthur observa que a queixa revela alguém que servia pelo que podia ganhar, e que essa justiça própria, embora mais respeitável que os pecados do irmão, ofendia o pai do mesmo modo. Ainda assim, o pai sai também ao seu encontro e lembra que tudo o que é dele é do filho mais velho, mas que era preciso festejar a volta do irmão.

E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e todas as minhas coisas são tuas. Mas era necessário se alegrar e animar; porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha se perdido, e foi encontrado.

Lc 15:31–32 · Bíblia Livre

MacArthur, Wiersbe, Barnes e Henry veem no irmão mais velho uma imagem dos fariseus e escribas que murmuravam contra Jesus, e no mais novo os publicanos e pecadores. Wiersbe lembra que há pecados da carne e também do espírito: um espírito crítico, orgulhoso e que não perdoa. Jesus não diz se o irmão mais velho entrou. A pergunta fica com quem ouve.

O que a parábola ensina

Primeiro, mostra o que é arrependimento. Ao cair em si, o filho, segundo MacArthur, entende não só sua miséria, mas a gravidade do seu pecado contra Deus e contra o pai. Então se levanta e volta para casa.

Segundo, mostra a graça de Deus. O filho é restaurado antes de provar qualquer coisa. Paulo escreve que Deus mostrou seu amor no fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores (Romanos 5:8), e que somos salvos pela graça, por meio da fé, e não por obras (Efésios 2:8–9). Leia mais em O que é a graça?

Terceiro, alerta contra o espírito do irmão mais velho. Dá para estar sempre perto da casa do Pai e não partilhar a sua alegria.

Assim, a parábola convida em duas direções. Se você está longe como o filho mais novo, o caminho de casa está aberto. Se você se parece mais com o mais velho, o Pai sai também ao seu encontro. Jesus veio procurar os perdidos e trazê-los para casa (Lucas 19:10).