O que a Bíblia diz sobre o inferno?
A Bíblia ensina que o inferno é real: o estado final de separação de Deus para quem o rejeita, descrito como castigo eterno. Ao mesmo tempo, mostra que Deus não quer que ninguém se perca e chama todos com paciência ao arrependimento.
O inferno é um dos temas mais difíceis da Bíblia, e muita gente preferiria evitá-lo. Mas o próprio Jesus falou dele mais de uma vez, e ele faz parte do que a Bíblia diz sobre a gravidade do pecado e a grandeza do resgate de Deus. Vale a pena ler com calma e honestidade o que a Escritura realmente diz.
Jesus falou de castigo eterno
No fim do seu ensino sobre o juízo final, Jesus separa as pessoas em dois grupos.
E estes irão ao tormento eterno, porém os justos à vida eterna.
Mt 25:46 · Bíblia Livre
John MacArthur observa que, em grego, a mesma palavra é usada para o castigo e para a vida. O castigo dos ímpios é tão interminável quanto a bem-aventurança dos justos; eles não são aniquilados, mas também não recebem uma segunda chance. John Wesley chega à mesma conclusão lógica: ou o castigo é eterno em sentido estrito, ou também a recompensa não é. MacArthur e Wesley leem essas palavras como castigo eterno e consciente. Os cristãos não pensam todos igual: alguns acham que no fim os ímpios serão destruídos, e poucos esperam a restauração de todos. Albert Barnes, ao comentar o texto, lembra que Jesus diz que as pessoas vão embora, e não apenas os pecados.
Jesus diz ainda que esse fogo foi preparado para o diabo e seus anjos (Mateus 25:41).
O que mostra a história do rico e Lázaro
A história do rico e Lázaro permite um raro olhar sobre o estado dos mortos.
E estando no Xeol em tormentos, ele levantou seus olhos, e viu a Abraão de longe, e a Lázaro junto dele. E ele, chamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro que molhe a ponta de seu dedo na água, e refresque a minha língua; porque estou sofrendo neste fogo.
Lc 16:23–24 · Bíblia Livre
MacArthur explica que “Hades” em grego significa o lugar dos mortos, e que Cristo o descreve aqui como um lugar onde o tormento já começou: fogo, uma consciência alimentada pela lembrança da chance perdida e uma separação definitiva de Deus e de tudo o que é bom. Barnes alerta que a linguagem reflete as imagens comuns na época de Jesus e que não devemos supor que tudo seja literal. Matthew Henry observa que o pecado desse homem foi cuidar só de si mesmo: dá para ter toda a riqueza deste mundo e ainda assim se perder.