Quem foram os reis magos segundo a Bíblia?

Resposta curta

Os reis magos eram, segundo Mateus 2, sábios não judeus do Oriente, provavelmente da Pérsia ou da Babilônia, que estudavam as estrelas. Guiados por uma estrela, foram a Jerusalém e a Belém adorar o Rei dos judeus recém-nascido e lhe ofereceram ouro, incenso e mirra. A Bíblia não diz que eram três, não os chama de reis e não dá os seus nomes.

Nos presépios, três reis de coroa se ajoelham junto à manjedoura, ao lado dos pastores. A Bíblia conta essa história de outro jeito. Só Mateus fala dos magos, em doze versículos (Mateus 2:1–12), e o que ele diz é mais simples e, ao mesmo tempo, mais surpreendente do que a tradição.

Magos vindos do Oriente

Mateus começa pelo tempo, pelo lugar e pelos visitantes.

E sendo Jesus já nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes, eis que vieram uns magos do oriente a Jerusalém, Dizendo: Onde está o Rei nascido dos Judeus? Porque vimos sua estrela no oriente, e viemos adorá-lo.

Mt 2:1–2 · Bíblia Livre

Depois que Jesus nasceu em Belém, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalém magos do Oriente perguntando onde estava o Rei dos judeus que tinha nascido, pois tinham visto a sua estrela e vinham adorá-lo. Warren Wiersbe explica que eram astrólogos orientais, gentios que Deus chamou de modo especial para honrar o Rei. John MacArthur mostra que, na Pérsia e na Babilônia, os magos eram uma classe de sábios tão influente que nenhum persa chegava a rei sem dominar os seus ensinamentos. Ele sugere ainda que o conhecimento que tinham das Escrituras hebraicas podia vir do tempo de Daniel, que serviu entre os sábios da Babilônia.

O rei que os recebeu foi Herodes, o Grande, que reinou de 37 a 4 a.C.; portanto, Jesus nasceu antes de 4 a.C. Wiersbe o descreve como um homem cruel, capaz de matar os próprios filhos para proteger o trono. Não admira que a notícia de um Rei dos judeus recém-nascido o tenha perturbado, e toda Jerusalém com ele (Mateus 2:3).

Três reis? O que a Bíblia não diz

Boa parte da imagem conhecida vem da tradição posterior, não de Mateus. Wiersbe resume: não sabemos quantos eram os magos, de onde vinham nem como se chamavam, e nem sempre as tradições cristãs têm base bíblica.

  • O número. Mateus nunca diz quantos eram. MacArthur explica que o número três foi tirado dos três presentes e acha provável que fossem mais, viajando com uma comitiva.
  • O título. Eram magos, não reis. Segundo MacArthur, a riqueza e o prestígio lhes davam ares de realeza, e por isso a tradição os pintou e cantou como reis do Oriente.
  • Os nomes. Os nomes Gaspar, Melchior e Baltasar vêm da tradição da igreja. A Bíblia não dá nomes.
  • O momento. Os magos não chegaram na noite do nascimento. Encontraram o Menino numa casa, não num estábulo (Mateus 2:11), e Herodes depois mandou matar os meninos de Belém de dois anos para baixo, conforme o tempo que tinha apurado com eles (Mateus 2:16). Isso indica que chegaram algum tempo depois do nascimento.

Nada disso torna a história menos verdadeira. Só nos ajuda a ler o que Mateus realmente escreveu.

A estrela e as profecias

Por que astrólogos do Oriente ligariam uma estrela a um rei judeu? Muito antes, o profeta pagão Balaão tinha anunciado que uma estrela sairia de Jacó.

Verei, mas não agora: O olharei, mas não de perto: Sairá estrela de Jacó, E se levantará cetro de Israel, E ferirá os cantos de Moabe, E destruirá a todos os filhos de Sete.

Nm 24:17 · Bíblia Livre

Balaão diz que vê alguém que ainda não chegou e não está perto: uma estrela que procede de Jacó e um cetro que se levanta de Israel. Wiersbe acha possível que a estrela dos magos seja uma referência a essa profecia. Sobre o que era a estrela, as opiniões variam: MacArthur lembra que já se falou de Júpiter, de uma conjunção de planetas, de um meteoro e de um cometa, mas entende que uma estrela que ia adiante deles e parou sobre um lugar (Mateus 2:9) só pode ter sido algo sobrenatural, como a coluna de nuvem que guiou Israel no deserto.

A estrela os levou a Jerusalém, mas foi a Escritura que os mandou a Belém. Herodes reuniu os chefes dos sacerdotes e os escribas, e eles responderam na hora com o profeta Miqueias (Miqueias 5:2).

E eles lhe disseram: Em Belém da Judeia, porque assim está escrito pelo profeta: E tu Belém, terra de Judá, de maneira nenhuma és a menor entre as lideranças de Judá, porque de ti sairá o Guia que apascentará meu povo Israel.

Mt 2:5–6 · Bíblia Livre

Disseram que o Cristo nasceria em Belém da Judeia, porque o profeta escreveu que de Belém, nada pequena entre as cidades de Judá, sairia o governante que pastorearia Israel. Wiersbe resume bem: Herodes não conhecia a Palavra, os escribas a conheciam mas não agiam conforme ela, e os magos ouviram e obedeceram. Os sacerdotes estavam perto do Messias e não foram vê-lo. Herodes ainda pediu aos visitantes que voltassem para contar onde estava o Menino, para também ir «adorá-lo», mas na verdade queria matá-lo (Mateus 2:7–8).

Ouro, incenso e mirra

Quando a estrela apareceu de novo, os magos se alegraram muito e a seguiram até a casa onde estava o Menino.

E eles, vendo a estrela, jubilaram muito com grande alegria. E entrando na casa, acharam o menino com sua mãe Maria, e prostrando-se o adoraram. E abrindo seus tesouros, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso, e mirra.

Mt 2:10–11 · Bíblia Livre

Ao verem a estrela, ficaram cheios de alegria; entraram na casa, viram o Menino com Maria, sua mãe, prostraram-se e o adoraram, e abrindo os seus tesouros ofereceram ouro, incenso e mirra. Eles adoraram Jesus, não Maria nem José. Os presentes eram dignos de um rei, e muitos veem sentido em cada um: o ouro fala da sua divindade, o incenso, do perfume de uma vida perfeita, e a mirra, usada nos sepultamentos, do sofrimento que ele levaria pelos pecados do mundo. Wiersbe vê na visita um sinal de que um dia as nações adorarão o Rei (Salmo 72:10, Isaías 60:6).

Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, voltaram para a sua terra por outro caminho (Mateus 2:12). Wiersbe tira daí uma lição: quem vai até Cristo volta para casa por outro caminho, porque é uma nova criatura.

Por que a história deles importa

Matthew Henry chama a atenção para o contraste no coração deste relato: estrangeiros vindos de longe procuraram Cristo com empenho, enquanto o seu próprio povo, que tinha as Escrituras e morava a poucos quilômetros de Belém, não deu um passo para vê-lo. Os magos tinham menos luz, mas seguiram a luz que tinham, e ela os levou a Jesus.

A viagem deles mostra, já no início do Evangelho, que Jesus veio não só para Israel, mas para todas as nações. E faz a cada leitor a mesma pergunta que fez a Jerusalém: sabendo onde encontrá-lo, você vai adorá-lo?