Eclesiastes 3: explicação de “tudo tem o seu tempo”

Resposta curta

Eclesiastes 3 ensina que Deus determinou um tempo apropriado para cada acontecimento e atividade da vida humana, do nascimento à morte. Não controlamos esses tempos nem enxergamos todo o plano de Deus, mas podemos confiar nele, receber a vida e o trabalho de cada dia como presente seu e viver em reverência diante dele.

As palavras sobre o tempo de nascer e o tempo de morrer estão entre as mais conhecidas da Bíblia. Elas são lidas em funerais e despedidas e citadas muito além da igreja. Mas Eclesiastes 3 é mais do que um poema sobre as fases da vida. É um passo na busca do Pregador: o que dá à vida um sentido duradouro.

O livro apresenta o autor como o Pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém (Eclesiastes 1:1). Matthew Henry e John MacArthur entendem que se trata de Salomão, já que nenhum outro filho de Davi foi rei em Jerusalém. Alguns estudiosos consideram o livro posterior e veem o nome de Salomão como figura literária. De todo modo, o livro olha para a vida «debaixo do sol», do jeito que ela aparece do lado humano.

Tudo tem o seu tempo (versículos 1 a 8)

Para todas as coisas há um tempo determinado, e todo propósito abaixo do céu tem seu tempo.

Ec 3:1 · Bíblia Livre

O versículo afirma que há um tempo para tudo e uma hora certa para cada propósito debaixo do céu. Albert Barnes observa que «tudo» aqui significa sobretudo as ações das pessoas e os acontecimentos que as atingem: o mundo da providência de Deus, não o da natureza. A palavra para «tempo» indica o momento apropriado. John MacArthur acrescenta que as atividades terrenas são boas no lugar e no tempo certos, mas se tornam inúteis quando são perseguidas como o objetivo principal.

Tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que foi plantado. Tempo de matar e tempo de curar; tempo de derrubar e tempo de construir. Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de lamentar, e tempo de saltar.

Ec 3:2–4 · Bíblia Livre

O Pregador fala de tempo de nascer e de morrer, de plantar e de arrancar, de matar e de curar, de derrubar e de construir, de chorar e de rir, de prantear e de dançar. A lista começa com o nascimento e a morte, dois acontecimentos que ninguém controla. Depois vêm ações humanas que começam e terminam algo, e o choro e o riso são as nossas reações a tudo isso.

Tempo de espalhar pedras e tempo de juntar pedras; tempo de abraçar e tempo de evitar abraçar. Tempo de buscar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de jogar fora. Tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de ficar calado e tempo de falar. Tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz.

Ec 3:5–8 · Bíblia Livre

Em seguida ele fala de espalhar e ajuntar pedras, de abraçar e de se afastar, de buscar e de perder, de guardar e de jogar fora, de rasgar e de costurar, de calar e de falar, de amar e de odiar, de guerra e de paz. Segundo Barnes, as pedras eram material de construção ou obstáculos tirados do campo. Rasgar a roupa era sinal de luto; por isso rasgar e calar parecem pertencer ao luto, e costurar e falar, ao seu fim (compare Jó 2:12–13). A lista termina como começou: com guerra e paz, que a gente comum quase não controla.

Esses versículos descrevem a vida como ela é, não dão ordens. William MacDonald lembra que matar e odiar aparecem na lista porque Salomão os observou «debaixo do sol», e não porque Deus os aprove.

A eternidade no coração humano (versículos 9 a 11)

Que proveito tem o trabalhador naquilo em que ele trabalha? Tenho visto a ocupação que Deus deu aos filhos dos homens, para com ela os manter ocupados. Tudo ele fez belo ao seu tempo; também pôs a sensação de eternidade no coração deles, sem que o homem consiga entender a obra que Deus fez, desde o princípio até o fim.

Ec 3:9–11 · Bíblia Livre

O Pregador pergunta que proveito tem quem trabalha. Ele viu o fardo que Deus deu aos homens, reconhece que Deus fez tudo apropriado ao seu tempo e pôs a eternidade no coração humano, mas o homem não consegue entender a obra de Deus do começo ao fim. MacArthur responde à pergunta: o trabalho terreno não tem proveito quando é tratado como o bem maior da vida, porque Deus nunca o deu para isso.

O versículo 11 é o coração do capítulo. Warren Wiersbe explica que Deus equilibra a vida, com nascimento e morte, dor e alegria, encontros e despedidas, por duas razões: para que não pensemos que podemos explicar com facilidade as obras do Senhor e para que aprendamos a aceitar e desfrutar o que temos. A eternidade no coração, segundo ele, significa que as coisas do mundo nunca poderão nos satisfazer de verdade. Barnes acrescenta que Deus deu ao homem a capacidade de pensar na eternidade e o anseio pela vida eterna. Mesmo assim, vivemos dentro do tempo e só vemos uma parte.

Receber cada dia como presente de Deus (versículos 12 a 15)

Tenho percebido que não há coisa melhor para eles do que se alegrarem e fazerem o bem em suas vidas; E também que todo homem coma, beba e fique contente com todo o seu trabalho; isto é um presente de Deus.

Ec 3:12–13 · Bíblia Livre

O Pregador conclui que não há nada melhor do que se alegrar e fazer o bem durante a vida, e que comer, beber e desfrutar o fruto do trabalho é dom de Deus. Não é um convite ao prazer sem compromisso. MacArthur chama essa a ideia central de Salomão, que ele retoma mais adiante (Eclesiastes 12:13–14). Barnes observa que «fazer o bem» tem aqui sentido moral.

Eu sei que tudo quanto Deus faz durará para sempre; a isso nada será acrescentado e nada será diminuído; e Deus faz assim para que haja temor perante sua presença. O que tem sido agora, já foi antes; e o que vier a ser também já foi; Deus busca de volta o que foi passado.

Ec 3:14–15 · Bíblia Livre

Tudo o que Deus faz permanece para sempre: nada se pode acrescentar nem tirar, e Deus age assim para que as pessoas o temam. O que existe já existiu, e Deus traz de volta o que passou. Barnes chama isso de primeiro indício da conclusão do livro: temer a Deus e guardar os seus mandamentos. MacArthur explica que reconhecer a obra eterna de Deus é a base da reverência e da adoração. O versículo 15 é lido de duas maneiras. Barnes entende que Deus pede contas do passado, o que prepara o tema do juízo nos versículos seguintes. MacDonald vê Deus trazendo de volta o que passou, de modo que a história repete os seus ciclos.

Viver confiando no tempo de Deus

Eclesiastes 3 ensina humildade. Não escolhemos o dia do nosso nascimento nem o da nossa morte, e não vemos como todas as fases da vida se encaixam. Matthew Henry adverte que esperar uma felicidade que não muda num mundo que muda só pode terminar em decepção.

O capítulo também dá descanso. Henry escreve que estar contente com a providência de Deus é confiar que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam (Romanos 8:28). Wiersbe conclui que precisamos descobrir a vontade de Deus para a nossa vida e deixar que ele misture os ingredientes segundo o seu propósito.

E ele nos chama a aproveitar o tempo que temos. Henry acrescenta que a vida é curta e incerta, por isso devemos aproveitar cada oportunidade de fazer o bem. A resposta certa ao Deus que determina cada tempo não é a ansiedade nem o desespero, mas a fé, a gratidão e a reverência.