Salmo 23: explicação versículo por versículo
O Salmo 23 é o cântico de confiança de Davi em Deus como seu pastor: o Senhor supre, guia, fica ao seu lado no vale mais escuro e o recebe em sua casa para sempre. Os cristãos o leem à luz de Jesus, que se chamou de bom pastor e deu a vida pelas ovelhas.
O Salmo 23 é provavelmente o salmo mais conhecido do mundo. Em apenas seis versículos, ele vai dos pastos verdes, passando por um vale escuro, até uma mesa farta e uma casa junto de Deus. Warren Wiersbe resume o tema numa frase: com este Pastor, nada me faltará. Veja o que ele significa, parte por parte.
Nas Bíblias evangélicas e na maioria das traduções modernas, este é o Salmo 23. Na tradição ortodoxa e em algumas Bíblias católicas mais antigas, que seguem a numeração grega, o mesmo salmo é o 22.
Deus, o meu pastor
O SENHOR é meu pastor, nada me faltará. Ele me faz deitar em pastos verdes, e me leva a águas quietas. Ele restaura minha alma, e me guia pelos caminhos da justiça por seu nome.
Sl 23:1–3 · Bíblia Livre
Os três primeiros versículos dizem que o Senhor é o pastor de Davi, que nada lhe falta, que Deus o faz descansar em pastos verdes, o leva a águas tranquilas, renova a sua alma e o guia por caminhos certos por amor do seu nome. O título indica Davi como autor. Antes de ser rei, ele cuidava do rebanho do pai e o defendia de leões e ursos (1 Samuel 17:34–35). Albert Barnes observa que a imagem viria naturalmente a quem se lembrava do trabalho da juventude: ela fala de cuidado terno, proteção, atenção aos fracos e provisão para cada necessidade.
Para Barnes, a certeza de que nada faltará é a ideia central do salmo inteiro. Wiersbe a desdobra: nada faltará para o descanso, o refrigério, a proteção nos problemas e a provisão. E Deus guia pelo caminho certo por causa de quem ele é, não porque as ovelhas merecem.
Pelo vale mais escuro
Ainda que eu venha a andar pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo; tua vara e teu cajado me consolam.
Sl 23:4 · Bíblia Livre
O versículo 4 diz que, mesmo andando pelo vale da sombra da morte, Davi não teme mal nenhum, porque Deus está com ele, e a vara e o cajado do pastor o consolam. Aqui Davi deixa de falar sobre Deus e passa a falar com ele. Barnes explica que a expressão serve para qualquer caminho sombrio e perigoso, e inclui a própria morte. Matthew Henry encontra consolo nas palavras: é só uma sombra, e a sombra de uma serpente não pica, nem a de uma espada mata.
Segundo John MacArthur, a vara e o cajado são instrumentos de proteção e de condução. Wiersbe lembra que, mesmo num vale perigoso, o pastor está ao lado da ovelha.