Qual a melhor tradução da Bíblia?

Resposta curta

Não existe uma tradução que seja a melhor para todos. As traduções mais literais, como as edições de Almeida, ficam mais perto das palavras do original, enquanto as dinâmicas, como a NVT, são mais fáceis de ler. A melhor escolha é uma tradução fiel que você realmente vai ler, comparada de vez em quando com outra.

O Antigo Testamento foi escrito principalmente em hebraico, com alguns trechos em aramaico, e o Novo Testamento em grego. Poucos leitores conhecem essas línguas hoje, então quase todos nós lemos a Bíblia traduzida. Daí surge uma pergunta justa: com tantas traduções disponíveis, qual escolher?

Traduzir é tão antigo quanto ler a Bíblia

Ler a Palavra de Deus em outra língua não é uma concessão moderna. Algo parecido já acontece na própria Bíblia. Depois do exílio, Esdras leu a Lei para os moradores de Jerusalém, e os levitas leram o livro com clareza e explicaram o sentido, para que o povo entendesse o que era lido:

E leram no livro da lei de Deus o declarando, e explicando o sentido, para que pudessem entender o que era lido.

Ne 8:8 · Bíblia Livre

Os comentaristas entendem esse versículo de duas maneiras. Albert Barnes diz que dar o sentido pode ter sido verter o hebraico para o aramaico, a língua a que muitos se acostumaram na Babilônia, ou simplesmente explicar palavras e passagens difíceis. John MacArthur vê aqui sobretudo uma explicação em palavras simples. Warren Wiersbe destaca que o povo tinha fome da Palavra e pediu que Esdras trouxesse o livro. Seja como for, o ponto é o mesmo: Deus quer que a sua Palavra seja entendida por gente comum.

No Novo Testamento, um oficial etíope voltava para casa lendo o profeta Isaías quando Filipe se aproximou da sua carruagem e perguntou se ele entendia o que lia. O homem respondeu que não tinha como entender sem alguém que o orientasse, e convidou Filipe a subir e sentar-se com ele:

E Filipe, correndo, ouviu que ele estava lendo ao profeta Isaías, e disse: Tu entendes o que estás lendo? E ele disse: Como eu poderia, se alguém não me ensinar? E pediu a Filipe que subisse e se sentasse com ele.

At 8:30–31 · Bíblia Livre

As palavras de Isaías citadas nessa história (Atos 8:32–33) seguem a Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento feita antes de Cristo. Desde o começo, as Escrituras chegaram a muitos leitores por meio de uma tradução.

O que torna uma tradução fiel

Paulo lembra a Timóteo de onde vem a Escritura: toda ela é inspirada por Deus e útil para ensinar, repreender, corrigir e educar na justiça.

Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para mostrar erros, para corrigir, e para instruir na justiça;

2 Tm 3:16 · Bíblia Livre

MacArthur explica que a palavra significa literalmente “soprada por Deus”. Deus usou a mente, o vocabulário e a experiência dos autores humanos, e o que eles escreveram é a sua Palavra. Uma tradução não acrescenta nada a essa inspiração. A tarefa dela é levar para outra língua, com a maior exatidão e clareza possíveis, o sentido daquilo que Deus deu.

Esse mesmo versículo mostra as escolhas que os tradutores enfrentam. Alguns comentaristas antigos, como Adam Clarke, preferiam traduzir que toda escritura inspirada por Deus é útil. MacArthur, por outro lado, argumenta com construções gregas parecidas que é correta a tradução habitual, que chama inspirada por Deus toda a Escritura. As duas leituras afirmam que a Escritura vem de Deus. Os tradutores pesam questões assim em quase todos os capítulos, e por isso traduções fiéis podem diferir nas palavras e ensinar a mesma coisa.

Palavra por palavra ou ideia por ideia

Os tradutores seguem duas abordagens principais, e a maioria das Bíblias fica em algum ponto entre elas.

  • A equivalência formal, ou tradução literal, fica o mais perto possível das palavras e da estrutura do original. É ótima para o estudo detalhado, mas pode soar rígida.
  • A equivalência dinâmica, ou tradução por sentido, expressa o significado em linguagem natural e atual. É fácil de ler, mas os tradutores tomam mais decisões de interpretação pelo leitor.

Entre as versões mais conhecidas em português está a tradução de João Ferreira de Almeida, feita no século XVII e revisada várias vezes, em edições como a Almeida Revista e Corrigida e a Almeida Revista e Atualizada, ambas mais literais. A Nova Versão Internacional busca um equilíbrio entre as duas abordagens, e a Nova Versão Transformadora e a Nova Tradução na Linguagem de Hoje traduzem por sentido, numa linguagem bem acessível.

Como escolher

  • Escolha uma tradução fiel. Prefira uma feita a partir dos textos hebraico e grego por uma equipe de tradutores qualificados.
  • Combine a tradução com a tarefa. Para o estudo detalhado, uma mais literal ajuda a ver a estrutura do texto. Para ler trechos longos, uma mais fluente pode ajudar você a seguir em frente.
  • Compare traduções. Quando duas versões dizem um versículo de jeitos diferentes, elas mostram uma escolha que os tradutores precisaram fazer. Leia o versículo no contexto ou consulte um comentário, e o sentido costuma ficar mais claro.
  • Leia aquela que você vai ler de verdade. Uma Bíblia fechada na estante não ajuda ninguém.

Lembre-se também do oficial etíope. William MacDonald observa com que boa vontade ele reconheceu que precisava de alguém para orientá-lo. Nenhuma tradução substitui a oração, a leitura atenta e a ajuda de outros cristãos. Para passos práticos, veja Estudo bíblico para iniciantes: como estudar a Bíblia.